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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

Tenho fome e falo demasiado, sem que as palavras me encham as ditas medidas e me matem a fome,

só servem para preservação de uma segurança maninha e infiel ao ser, afinal insurretas

no dizer

Tenho fome.

e nada diz que o tenha realmente. Apenas apregoa algo que não é fome

mas o é, para que entendamos que a sinto. 

A fome que tenho podia ser de outros anseios que não os terrestres 

e salubres, 

podia ser uma fome espiritual, mas essa vem sempre em palavras gastas na

escorreita partitura do poema, e, já se sabe, fome não quer dizer fome, e 

por isso, continuaria com fome, fosse de carne, ou de poesia.

E assim, ando sempre com fome, sem que lhe possa, sequer, chamar fome, 

sob risco de me dizerem esfomeada ou de me acusarem de ter lido o dicionário errado.