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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

Uma pergunta que no estudo da literatura faz mossa, prende-se com a construção da personagem: ela impõe-se ou é manietada pelo autor? É fruto verídico da lembrança ou mera construção selvática da imaginação? Quando se impregna ela de uma e de outra seiva? É ela simples anatomia somatória de sonhos e caraterísticas ou repetição aplainada de quem escreve? Os livros são os mesmos? As histórias alcançam morais infinitamente superiores às que se lhe lêem? Onde começa e termina o real? Uma ave no céu é a mesma que se eterniza no poema? Pena, bico, asa, pata? E viverá ela em paz na eternidade que lhe conservámos, a asa alongada, o corpo planando, na plenitude sacra e definitivamente acabada do poema, pois que a eternidade, sendo perfeita como o pretérito, é já um tempo acabado e nunca verdadeiro? A poesia mente-nos?