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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

Eu digo janela, mas não é suficiente para deixar entrar a luz. A palavra não inaugura já o seu sentido, nem a sua função é ser ele próprio, apenas ressoar do seu reflexo. Digo luz e nem ela se faz nem eu me agito, calmamente sentada, o chá que imagino fumegando, apesar da sua inexistência. Digo ver e nem por isso vejo realmente. O que dizemos é um símbolo daquilo que aparece feito e, estando feito já, obedece a padrões de vontade que nos são exteriores e impercetíveis, fechados em torno de uma existência a que nunca daremos voz. Digo voz e estou já queda em silêncio.