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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Versos.

De onde me vem isto que me come por dentro e amarfanha a voz, o tinir dos rins, a acidez do estômago, a grande pedra agelasta no meu peito doces tremores anelando? De onde me vem este peso, este cansaço, este arrulhar de demónios segredando pesares, arrastando-me para o fundo de mim, desacreditando-me as mãos, as pernas, a cabeça? Quem mos pos, bem aqui no peito, e ainda abraçados às coxas rijas, pálidas, indigesta a sombra que em mim fazem, como árvore morta sobre o pó? Fui eu? Foram eles? Tirem-nos, extirpem-nos, rasguem a pele, o músculo, a banha e raspem-lhes o riso cínico até que também desapareça.