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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Viva a des

vinculação ideo

lógica 

e o descom

prometimento soc**********,

não vão eles deixar de contar

estorinhas

de estorninhos;

sabem que quem escreve

en

saio

não é art

ista,

mas

eu, que sou 

par

va,

só não gosto que me

en

tretenham. 

 

Às vezes, tenho ganas.
Carne contra a transparência.
Às vezes, tenho ganas
De me vestir de pierrot
Que é chique pra palhaça e já os poetas gostavam deles, dos palhaços e do circo.
Às vezes, tenho ganas.
De ilusionista ou malabarista
Na linha ínfima da vida
Para a sorte.

Depois, explicou-me o que era um poema, citando-m'a metáfora, olhei atenta, disciplinada, confesso que extasiei, quase excitada!, de o saber tão poderoso na arte da falofória, e dedicando-me, malogro, o seu tempo. Mas depois de tão alto discurso, li uma vírgula entre o sujeito e o predicado, por isso, deixei-o a brincar com a pilinha e fui estender uma máquina de roupa. Provavelmente, não poética.  

Falhar a vida é romântico. Dá quase-poemas e maus romances, algumas lágrimas e outras fundas laminações. Mas o revés maior não é não deixar por escrito alto a vida, é falhá-la e não saber porquê. 

Vou comprar uma televisão, que preciso duma como do pão p'rá boca, ou não soubesse eu: a vida é triste, e amanhã dá-me o quebranto, por isso, vou pr'á fila, arregimentada e obediente, até que as portas se abram como as do paraíso terreal, evas e adões e serpentes adentrando o marketplace, mesmo sabendo que amanhã é sábado, enfado-me a montar a novidade, e falho irremediavelmente a boca, que se não cala na enfermidade que é doutro sustento. 

O que eu gosto de poetas da Liberdade e do Amor maiusculizado!

E dos que não dizem coisas banais sobre a banalidade da vida,

nem a coisa pequena, só a Coisa Grande!

Que, bem, todos sabem que a Coisa Grande é a Grande Coisa,

enfim,

Coisa de homem com h maiusculizado. 

E isto é sincero,

eu até gosto de Homem de Coisa Grande,

a Liberdade, o Amor, essa pujança de cavaleiro!

Com maiúscula.

Claro!

 

Por falar em doutrina, era o nome que meu avô dizia quando me via sair aos domingos, de cabelo penteado e saia de pregas xadrez. Ainda a camisola picava. E eu gosto tanto mais desse nome como dos domingos de manhã em que ele me via sair.