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Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Manual de sobrevivência

Já viram bem esta coisa amorfa em que nos tornamos? O músculo recolhendo até à certeza do vazio, o osso quebradiço, rendado já como os das aves, pneumáticos, sustentando o voo que a condição terrestre nos negou, um todo retraindo-se até à implosão lenta e rarefeita. É o tempo, dizem. Não, é a morte. Ou talvez eles estejam condensados no mesmo sentido: tempo, morte, extinção. Da brasa, da flor, do amor, do corpo. 

Sou o que sou e isso basta-me

Sou o que sou e isso basta-me. 

 

O que os outros dizem que sou

Já não sou eu,

Mas o reflexo do eu

Naquilo que eles dizem ser. 

 

O que os outros dizem que sou

Talvez possa ser outro eu.

O verdadeiro?

Contrário, porém, 

À fidelidade de mim.

 

O que os outros dizem que sou

Também sou eu

E passa a ser inteiro e uno

Se deixarmos de nos ver

Para os ouvir. 

 

Sou o que sou e isso basta-me.