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Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Conversa para dois cigarros

 

Reparem num fumador: a mão sobre a boca e depois deslizando para fora, o lume queimando o tabaco em golpes impalpáveis. Dar ao tempo o peso que ele não tem, descortinar-lhe um sentido que não se compadece com a realidade. Sublimar, na fragilidade tola de um cigarro, a fraqueza do indivíduo. 

Fumar um cigarro é inventar um propósito para a vida. Como se segurá-lo firme entre os dedos nos delegasse significância. A impalpabilidade da natureza do fumo. É por isso que fumar é uma bela metáfora para o absurdo, para o humano, encostado, a mão ausente, numa atitude de compreensão de que nada mais se aguarda senão o fim do cigarro.