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Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

A uma palavra ausente

Anda, vem, deita-te aqui entre os meus braços, não me recuses,

preciso de fazer as pazes contigo,

maceras-me e eu anulo-te,

mais um corte e estamos desavindas,

por isso eu cedo, como sempre o fiz, acintosa, mas já obediente,

tu, tenebrosa nesse emancipado orgulho de rainha

ajoelho-me, massajo-te os pés, 

alvoreces e engalanas-te,

não me martirizes mais,

rogo-te,

ainda que te insulte interiormente,

certa da minha apostasia,

regressa à pena e diz-te, 

eu não me queixo mais. 

 

--

Daqui

não quero 

nada

salvo,

talvez,

quietude

entre o que sou

e o que supus

poder vir a ser.

 

 

Fim de tarde

Quando as persianas sobem

parece um filme do Dolan

as lâminas em ascendência

a orquestra de um filme

a gargalhada da criança de permeio

no que vejo 

no que ouço

é só um fim de tarde de domingo

as rosas engalanadas pelo branco do céu contra o vidro

e setas e setas de aves em formação

vogando para norte

e o meu coração ensimesmado

com a vida

com a estranheza da sua uniforme insignificação