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Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Penitência

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

Dicefalia da solidão

A solidão só é um estado penoso quando deixamos que o seja realmente. Se o nosso miolo permitir que aos nadas que se assomam à nossa volta seja permitido o protagonismo. A solidão habita-nos e revela-se, bicéfala que é, magnificentemente presunçosa nos nãos autoimpostos mas contrafeitos, na revogação impiedosa da nossa vontade, na nulidade aparente da nossa existência, nos calares contritos, nas ações contrariadas, nas respostas que desfalecem na garganta, a voz menoscabada.

E saber-lhe do isolamento a graça e do silêncio a calma. E saber-lhe do despovoamento a gestação divina. A alegria alta e perene. E ver-lhe, simultaneamente, a face arquétipa e dura, rocha fantasmagórica e sentenciosa: a orfandade a que cá dentro nos largamos quando o ser é espezinhado pelo pretensioso menosprezo do outro.