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A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

A penitência de uma dona de casa que acha que tem um encosto

Diarística. Autoficção. Rompantes mais ou menos semânticos.

O mundo é uma bola e quem anda nele é que se amola. Foi a minha avó quem disse. Sorriu-se, vi-lhe o trejeito grácil ao telefone. Nem tudo lhe é dor, ela é da lisura nobre da comédia trágica. Envelhece muito pouco acaciana, na pitada sibilar com que relativiza o mundo. Então, como estás? Muito candorça, mas a língua ainda não dói. Enche-me o coração no recém-descoberto desprezo viperino dos males pequeninos do mundo, dela mesma, despede-se com grande elevação do que só soube dar-lhe pouco. Tem fé por superstição, que, enfim, terei herdado, o rito que não cura, mas situa, ramos de oliveira benzidos no domingo de ramos contra as tonas das achas que ainda me estalam, pinheiro antes de carvalho, e Sta Bárbara q.b., e era poético que findasse a rir-se, que é típico das grandes mulheres a quem o mundo, abalando, não derreou.